O sentimento é homogêneo: Ibiza é DO CARALHO! E não poderia ser diferente. Se o principal objetivo deste regimento era encontrar um lugar repleto de bares, festas e eventos similares que nos permitissem encher a cara sempre que necessário esta ilha no Mediterrâneo se encaixou como uma luva na vida destes mochileiros. Saímos de Ibiza com duas certezas: não poderia ter sido melhor e não existe bebida alcoólica nesse mundo que não provamos. De chá de cogumelo de um brasileiro muito doido (acidentalmente) ao famoso e velho absinto PURO, podemos dizer que este pelotão se deparou com o pior dos inimigos do homem, a bebida, em diversas formas… e venceu.
Mas sem sombra de dúvidas, a bebida que vem aquecendo o coração dos mochileiros é a boa e velha TEQUILA. Por dois motivos: primeiro porque ela é objetiva, se você busca animação ela é o atalho que lhe deixa na porta do céu, quando senão, a dois passos do paraíso; segundo porque ela era a mais barata. Beber em Ibiza, definitivamente, só quando se compra a bebida em supermercado. Senão meu amigo, a banca quebra. Em qualquer canto que se vai, a cerveja ou a sangria (muito comum na ilha) saem por algo entre 12 e 15 reais.
Como que para desafiar o impossível, as proezas desse pelotão parecem ter repetido o processo de crescimento das plantas que aprendemos na terceira série: nasceram, cresceram e reproduziram-se. E reproduziram-se mais do que rapariga sem anticoncepcional.
A ilha se mostrou receptiva a este esquadrão logo na sua primeira oportunidade. O soldado George, que estava hospedado em outro albergue devido à sua reserva tardia, acabou conseguindo ficar no mesmo albergue que o resto da gangue, digo, do pelotão, graças às trapalhadas da atendente do nosso albergue, que, ao que tudo indica, concluiu seus estudos através do Telecurso 2000.
Na primeira noite na cidade das festas mais doidas, o primeiro desafio fora lançado: Ir à famosa Pacha num dia em que o acúmulo de horas dormidas não passava de 3 e que a kilometragem de bebida ingerida superava médias históricas. Somente 4 soldados se apresentaram para o serviço, rendendo-lhes, posteriormente, condecoração por bravura e força descomunais.
A boate em si não tem nada demais. A estrutura perde e feio pro famoso Mucuripe (Fortaleza-Ce). E feio MESMO. Parece algo improvisado na entrada, mas vai melhorando à medida que se adentra no club. Mas para por aí. Nada de encher os olhos não. Não que sejamos especialistas em DJs, mas ao que tudo leva a crer é isto que faz dela a maior e mais famosa boate do mundo. Lá se pode entender o verdadeiro sentido da expressão “really action dance floor”.
E para aumentar o glamour da night (que viadagem da porra é essa de glamour e night?) a festa contou com a presença nada especial do fenômeno. Ele mesmo. Ronaldo Nazário de Lima. Obviamente que o sacana ficou no camarote reservado, blindado e espelhado, sem contato nenhum conosco, o que deve ter sido chato para ele, mas a sensação de dividir o ambiente com um dos melhores jogadores que a nossa geração viu jogar já é muito satisfatória (aí dento).
No dia seguinte, acordamos cedo para curtir o dia em Ibiza. Por volta das 14 horas levantamos e demos a primeira respirada que fez com que os bafômetros localizados em um raio de 2 Km disparassem e travassem. Fomos direto para as locadoras de carro alugar dois veículos de guerra para desbravar a Ilha. Alugamos dois NISSAM MICRA, dois simpáticos carros, confortáveis, com direção hidráulica e ar condicionado. Em seguida, era hora de conhecer a famosa Dalt Vila, cidade alta tombada patrimônio histórico pela Unesco em 1989. E que lugar irado. Um forte construído pelos espanhóis para vigiar a costa com uma vista impressionante de Ibiza, ou, como dizem por acolá, Eivissa. Coisa linda de se ver.
Logo depois, descemos direto para tomar café da manhã na praia de Bora Bora. Café da manhã é uma bebida que fazem por lá que leva sangria, cerveja e champagne, muito utilizada para espantar a ressaca (que vai embora de mão dada com seu fígado). A praia é realmente muito louca. A música eletrônica é uma constante em Ibiza. Não existe outro ritmo. Na praia, no supermercado, nos cânticos da Igreja… em todo lugar só se ouve tuntz tuntz tuntz… à certa altura do campeonato, conhecemos um brasileiro muito legal chamado de Renato (ou Paulo, ou André, ou Josinalvo…) que nos ofereceu um drink.
Começava aí a primeira experiência com drogas nessa viagem. Eu e o soldado Márcio provamos da bebida desse cidadão. Mais tarde, através de outro brasileiro, descobrimos que ele era um traficantezinho de pequenas festas na cidade que andava chapado e adorava umas bebidas com chá de cogumelo e outras paradas. Eu e o soldado Márcio Camelo nos entreolhamos e questionamos se o outro tinha sentido algum efeito da bebida do cidadão. Um respondeu que não, com um terceiro olho nascendo na testa, e o outro concordou que nada acontecera, no mesmo momento em que um sétimo dedo emergia de seu pé esquerdo.
Brincadeiras a parte, ambos não sentiram nada, porque não consumiram nada. Eu afirmei que não tinha bebido o drink, pois ao sentir o cheiro do copo do cidadão, me liguei logo que tinha explosivo dissolvido naquela parada, e que ele era um espião formado pela Rússia enviado para boicotar nossa missão. Fingi-me de solícito e aceitei sua oferenda, entretanto, não engoli sequer uma gota. Já o soldado Márcio, fez jus ao seu treinamento de cabo armeiro recebido no Qwait e percebeu logo de cara que o maluco tava ligado em 220V, e só fez cheirar a bebida. Escapamos ilesos e sem lombra.
À noite era hora de ir para a famosa… a esperada… a mais falada festa da nossa trip: a Festa da Espuma, na Amnesia! Antes de chegarmos no ápice deste evento que foi sem dúvida o mais louco de toda a trip (até agora, haja vista Amsterdã estar por vir), alguns eventos merecem destaque devido às atividades desenvolvidas pelos soldados desta intrigante comédia da vida na privada.
Convocamos o soldado Marcusão, para preparar o rango do regimento. Passamos em um supermercado e compramos macarrão, camarão molho de alguma coisa lá e os outros ingredientes necessários para que ele alimentasse a tropa, ou seja, uísque e cerveja. No preparo da refeição, o mesmo pediu auxílio ao soldado Robson (aquele mesmo do sapato costurado e do pão com pudim de cajá), solicitando-lhe que cozinhasse os ovos para adiantar o processo.
Eis a surpresa do nosso soldado-culinário que, ao chegar na cozinha de um dos aptos, deu de cara com o soldado Robão quebrando o terceiro ovo para colocar na água. Segue o diálogo:
M: Que porra é essa Robão?
R: Tou cozinhando os ovos. Não era a caixa toda não?
M: Seu jumento, não se quebra o ovo para cozinhar não porra!
R: Vixe cara, é mesmo né? (disse quebrando o quarto ovo).
A vontade do pelotão era de cozinhar os ovos dele, pra ver se deixava de ser voador. Mas seguimos em frente com a sagrada refeição pré-batalha, regada à cerveja e uísque.
Outro fato curioso ocorreu naquela noite, e que rende piadas até hoje! Antes de sair para a Festa da Espuma, paramos na entrada do Albergue para fazer a divisão dos valores pagos pelo aluguel dos carros. Enquanto estávamos na porta do hotel passando dinheiro para um lado e para o outro, a presença de nove guerrilheiros trocando dinheiro para todos os lados chamou a atenção de um dos seguranças que abordou o nosso soldado Marcus, só porque ele tem cara de paquistanês (lembram daqueles cidadãos que vendiam de tudo em Barcelona? Pois é!).
Perguntou se ele estava no albergue vendendo haxixe (uma droga muito doida aí). Pra quê! Demos uma gargalhada daquelas enquanto ele se explicava para um delicado segurança de quase 3 metros de altura por 2 de largura. No fim das contas ele disse que era brasileiro e tudo ficou bem. O curioso é que toda vez que esse segurança passava pela gente, dava dois tapinhas nas costas do Marcusão e dizia: “Brasileño né? Tsc tsc …” e dava duas piscadelas.
A Festa da Espuma foi a coisa mais louca que todos nós já vimos. Até mesmo para o solteiro profissional, soldado Márcio Camelo, que já desbravou o Brasilzão de meu Deus à busca de festas e baladas. Chegamos na boate por volta das 2h00 da manhã, horário normal para se chegar nas baladas de lá. A espuma começava a ser jorrada às 05h00 da manhã, então, até lá, tome tequila no rabo da galera! A estrutura da Amnésia é espetacular! Dois ambientes muito amplos, bem iluminados e com equipamento de som de primeira. Labaredas de fogo, painéis luminosos, plataformas que subiam e desciam, além de uns malucos bombados e umas gatas de lingerie dançando sobre as plataformas. Realmente espetacular.
Pouco antes da espuma, uma coisa inesperada aconteceu (todo post tem essa palavra). Uma plataforma surgiu no meio do salão da espuma, e um cara com 3 modelos bem afeiçoadas apareceram sobre ela. De repente, o cara começou a tirar a roupa das modelos e começou uma atividade que arrancou dos mochileiros a seguinte expressão: “Que putaria é essa ?”. Parece que o cara tava ouvindo aquela música dos Raimundos – Me Lambe. Um verdadeiro espetáculo de lambidas nessas três mulheres em todos os cantos possíveis e inimagináveis. Esculhambação tamanha que se fosse no Brasil era cadeia, porrada, processo e tudo mais… Mas como estamos falando de Ibiza, parece que tudo é válido!
Quando chegou a hora da espuma, aí que a coisa ficou divertida. Pensem assim: cada ambiente da boate comporta aproximadamente 400 pessoas, entretanto, a espuma é só em um ambiente, ou seja, parece agência do INSS em dia de pagamento de aposentado. LOTADO! Todos os matutos correram para o meio do salão em busca de provar um pouco da sensação de estar em um salão com música eletrônica em alto volume e muita gente dançando no agito. Ao som de Pa-Pa-Panamericano os 4 canhões localizados no andar de cima do salão começaram a cuspir espuma na galera.
A espuma começou a cobrir todo mundo. Todo mundo MESMO. Aquela porra entrava no short, na camisa, na orelha, no nariz, no olho, na boca… Começou um empurra-empurra desgraçado, e como sou alto, no primeiro “aperta” que a galera deu, eu saí logo do chão e fiquei suspenso, sem poder decidir o meu futuro, para onde ir ou onde não ir. O fato é que espremeram tanto que fui cuspido para uma das entradas do salão. Não ia deixar barato! Tentei voltar com todo vigor e no caminho de volta me deparei com duas cenas antológicas.
Na primeira delas, o nosso amigo japonês, soldado Icety, conseguiu se desfazer das características faciais do seu povo e arregalou tanto os olhos em busca de ar para respirar que suspeitei dele ser descendente de uma coruja e não dos velhos samurais. Quando perguntei que porra era aquela ele respondeu: “Eu vou morrer, eu vou morrer”. E saiu resmungando do salão, parecendo um rato molhado.
No segundo momento, os soldados Robson e Marcus estavam deixando o salão em formação cão guia: o soldado Marcus andando na frente e o soldado Robson segurando na camisa dele, com os olhos completamente ensaboados, e a cara de quem tinha acabado de sair do trem fantasma, dizendo: “Vai macho, vai porra, anda!”.
Continuei minha missão: tinha que chegar no centro do salão. Tinha que conhecer o coração do inimigo. Pelo caminho, encontrei o soldado Márcio, na espreita de uma oportunidade para adentrar o salão. Emendei: “Vamos nessa!”. E ele: “Simbora!”. Em tempo, o soldado Marcus, que tinha acabado de guiar o Robão para fora do salão conseguiu nos acompanhar e seguimos os três para o centro do furacão.
Quando atingimos o objetivo, o DJ começou a tocar a música que elegemos com tema da viagem, pois o refrão dela é composto por uma única vogal, ou seja, todos nós sabemos cantar. A quem interessar possa, a música é Duck Sauce da cantora Barbra Streissand (acho que é assim que escreve). Aí a festa foi geral! A mistura de água com espuma subiu tanto, que chegou na altura do meu umbigo (por favor, não venham com essas piadas me chamando de anão). Aí começou o show de mergulhos e jogar sabão no outro …à certa altura o Márcio foi falar comigo e, da boca dele, saíram três bolhas de sabão.
A espuma e a música agitada rolaram até as 7 horas da manhã. Mas a festa, para nós, não tinha acabado ainda. O grande desfecho da noite ainda estava por vir. Quando o relógio apontou às 6h30, a espuma cessou e a galera começou a deixar a festa. Claro que nós não! Começou um show de dar mergulhos de peito no salão, semelhante à técnica da seleção masculina de voley de quadra do Brasil, quando vence os campeonatos mundiais.
O primeiro foi o soldado JP Sobreira, que deu um mergulho de peito no salão e voltou com os olhos cheios d’água, dizendo: “Porra, ta ardendo!”. Logo em seguida, não me pergunte como e nem pergunte de onde, o soldado Marcus apareceu no salão com um grande pedaço de isopor, que mais parecia aqueles bodyboards infantis que nossos pais compram na nossa infância.
Ele deu um mergulho e usou essa “prancha” pra deslizar o que fez com que ele atravessasse o salão e acertasse um italiano desavisado que passava pelo caminho. Não deu outra: Strike Italiano. Quando olhei pra frente, só vi as perninhas do italiano pra cima e o Marcus com a cara cheia de sabão rindo da putaria.
Corremos pra cima pra ver se o cara ia se estressar, ou iniciar um foco de confusão. Que nada! O cara estava rindo pelos cotovelos, morrendo de achar graça da rasteira que levara. O amigo dele, mais parecia um brasileiro ao ver o outro em apuros: apontou o dedo pra cara dele e cascou o bico a rir: “hahahaaha”.
Na saída da boate, mais uma vez expulsos pelos seguranças devido ao extrapolo do horário, a cena era sensacional. Marcusão saindo da boate, coberto de espuma do pescoço aos pés, com a “prancha” debaixo do braço dizendo “Onde é que tem mais italiano nessa porra pra eu derrubar?”. Sensacional!
Voltávamos para o albergue quando no meio do caminho surgiu uma ideia: Isso não é hora de dormir, é hora de acordar! Vamos pra praia! E emendamos para a praia de Bora Bora para tomarmos umas por lá. O que não sabíamos é que o povo de Ibiza, mesmo com a quantidade de bebidas e drogas que consomem, não consegue acompanhar o ritmo deste pelotão. Não tinha um pé de gente na praia de Bora Bora, senão pelas pessoas que faziam a limpeza do local, removendo cascos de cerveja, taças de champagne, sungas, biquínis e outras coisas básicas que o pessoal esquecera por lá. Sem alternativas, restava-nos apenas voltar para o albergue para dormir.
No dia seguinte os nossos planos eram de conhecer as belezas da ilha de Formentera. Por conta de um pequeno atraso perdemos o barco que saía para a ilha. O barco partiu às 10h e nós acordamos às 16h. Por pouco! Demonstrando resistência de ferro, o soldado JP Sobreira acordou cedo no dia seguinte e teve a generosa idéia de ir ao supermercado comprar água, pão, queijo e presunto pra tomarmos café da manhã (às 16h?), suco de laranja, cerveja e uísque.
Ainda bem que no verão europeu as noites só chegam às 21h30, senão este pelotão não veria a luz do sol. Nos mandamos então para conhecer uma praia muito bonita do outro lado da ilha, chamada de Calla Tarida. Atravessamos a ilha e ao chegar nos deparamos com um visual irado. Muito massa mesmo. Águas claras, calmas e diversos corpos inertes deitados na areia. Acho que todo mundo que estava na balada na noite anterior tinha ido dormir em Calla Tarida.
Ao contrário das praias do Brasil, onde você vê aquela agitação com gente jogando frescoball, futebol, menino correndo com o nariz cheio de catarro, cachorro cagando na areia … as praias de Ibiza são como spas a céu aberto, onde a galera vai para relaxar e tirar uma soneca. Como não poderia faltar, fui dar um mergulho para ver se as águas do Mediterrâneo eram boas pra banho. Gostei, mas prefiro as praias do Brasil. Mesmo com os dias demorando mais de 15 horas essa porra dessa água não esquenta. E ainda tinha umas sujeiras de mar, estilo aquelas algas de maré cheia no Brasil. E pra completar, pense numa água salgada! Rapaz, a boca e o nariz ficaram pegando fogo! É amigos, no quesito praia, o Brasil é foda!
Depois desse programa light, fomos para o Café Del Mar, ver um por do sol considerado por muitos como um dos mais bonitos do mundo. Porra nenhuma! Por do sol feio da porra. Antes do sol se por, saímos direto para o supermercado para comprar mais uísque e cerveja porque a noite era hora de ir para a festa do DJ Tiësto, na famosa Privilege.
Entretanto, umas promoters passaram no nosso albergue entregando umas pulseiras que davam direito à entrada grátis na SPACE, uma das mais famosas boates do mundo. Então, o pelotão que já tava mais liso do que bunda de índio optou por essa festa, e não foi dessa vez que o Tiësto nos viu! A idéia era boa, converter os 50 euros da entrada em bebida dentro da festa.
A pulseira nos dava direito de entrar na boate de graça, mas para isso tínhamos que chegar na festa antes da meia noite. Tarefa complicadíssima para esse pelotão. Para evitar chegar atrasado saímos do albergue às 23h45. O foda foi que nos perdemos no meio do caminho, fomos parar do outro lado da cidade, paramos num posto para pedir informações, compramos uma garrafa de uísque a qual tivemos que virar como se fosse dose de tequila, e chegamos na festa às 00h00 em ponto! Missão cumprida com louvor soldados.
Para cada tunz tunz que rolava dentro da boate, tomávamos uma dose de tequila. A certa altura, o barman começou a olhar pra nossa cara e rir. E ainda disse: “Oh man, you’re gonna die”. Imagina a quantidade de bebida que consumimos para assustar um barman de IBIZA! Eu falei Ibiza, senhoras e senhores! Nos entreolhamos preocupados e pedimos outra rodada para comemorar o feito.
A festa não poderia acabar diferente. Fomos expulsos da boate e saímos escoltados pelos seguranças. Acho que os seguranças exageraram um pouco. Só porque o Márcio tava discutindo com alguns seguranças e o JP Sobreira, ao se empolgar com a música, deu um pulo associado a uma cotovelada na testa de um segurança, a galera achou ruim.
Aliado a isso eu e o tenente Helano Camelo estávamos tendo uma habitual conversa entre machos, gesticulando, xingando e falando alto, quando os seguranças viram a cena e pensaram que era briga. Aí colaram na gente também. Escoltados por aproximadamente 5 seguranças que valiam por 10 hooligans, fomos chutados para fora da boate como cachorro que rouba carne de frigorífico. “OK guys, time to GO!”
Partimos então para o albergue para discutir a confusão da noite e beber o restante da cerveja que tínhamos comprado, já que ainda era cedo, por volta das 05h00 e não tinha amanhecido ainda. Às 7h00, quando a bebida tinha se esgotado, encerramos o assunto e chegamos à conclusão de que o culpado pela confusão toda foram os seguranças da boate.
No dia seguinte, o passeio era nas cavernas subterrâneas de Ibiza, chamadas de Conva de Con Marca. O passeio se iniciou às 14h da tarde, ou seja, não fomos. Com a ressaca acumulada de 7 dias seguidos, dormir por muito tempo era mais do que necessário.
Einstein dizia que os gênios dormiam 4 horas, as pessoas normais dormiam 6 e os idiotas dormiam 8. Se ele fosse vivo, eu ia mandar um e-mail pra ele perguntando em qual categoria se encaixa uma pessoa que dorme 10 horas seguidas. O cansaço bateu geral, e não tivemos saída. Tivemos que espantar essa ressaca com a melhor forma já inventada pelo homem para combater esse mal: beber mais. Era hora de ir para San Antonio, pois às 17h tínhamos que pegar a pulseira para a festa do barco, que começava às 19h.
A festa do barco foi realmente incrível. O visual era espetacular. Vimos o por do sol do meio do mar, circundando falésias, rochas imensas, sendo seguidos por barcos de alta velocidade com a galera fazendo top less e enchendo a cara. Irado mesmo. Pra completar o cenário paradisíaco, apareceu uma baleia ao lado do barco, e começou a dar aquelas borrifadas de água pra cima. Go Willie !
Conhecemos uma galera muito legal no barco. Uns brazucas da minha Baêa, uns ingleses muito doidos, uma galera da Alemanha e uma malucada da Austrália. Fotos com bandeira do Brasil, com bandeira do Vozão, e uma bebida diferente, chamada de Desperados, que vende em garrafa e é uma mistura de tequila com cerveja. Muito boa! A festa foi irada, e ao final estávamos convencidos de que Ibiza era realmente, a ilha da fantasia.
Depois fomos para o albergue, arrumar as malas e pegar táxi para o aeroporto. O cansaço, os pés latejando, os lábios ressecados… todo mundo ainda embriagado da festa do barco e à beira de pegar a mais temida imigração: Londres.
Durante o vôo, todos relembravam de algum momento marcante da estadia em Ibiza, de alguma cena engraçada, ou de alguma resenha ocorrida. Nove guerrilheiros em êxtase, onde a saudade era percebida no semblante e nas feições de todos. Eu, na condição de comandante do pelotão, e encarregado por elaborar o roteiro e conduzir o bando na sagrada Ilha de Ibiza, experimentei o sentimento de missão cumprida.
Será que esses 9 bêbados vão conseguir passar pela imigração inglesa?
Acompanhem!